Quanto à introdução de novidades. Quem pode duvidar que leve às piores desordens quando mentes que Deus criou livres são compelidas à submissão escrava a uma vontade externa? Quando nos dizem que devemos negar a evidência de nossos sentidos e sujeitá-los ao capricho de outros? Quando pessoas sem qualquer competência são tornadas juízes de peritos e se lhes outorga autoridade para tratá-los como lhes aprouver? São essas as novidades capazes de levar à ruína das comunidades e à subversão do Estado.
Galileu Galilei
O primeiro ser humano a apontar um instrumento óptico para os céus, descobridor das quatro grandes luas de Júpiter, das crateras da Lua, da "imperfeição" do Sol... Viveu durante quase oitenta anos (1564-1942), o que equivaleria a uns cem anos para hoje, comparando-se a medicina entre as épocas...
Precedeu Johannes Kepler, Isaac Newton, Albert Einstein, Stephen Hawking; no entanto foi tão grande e completo quanto cada um deles.
Nessa citação acima, podemos ver que tudo o que acontece hoje em relação aos desastres políticos e sociológicos em todo o mundo tem uma essência muito antiga: A necessidade humana de dominar e controlar tudo ao seu redor, voltando a seu favor todo e qualquer ser vivo.
Galileu condensou em breves linhas toda a sabedoria que jaz acima de qualquer homem que se diz acima de outros homens.
Aquele velho papo de 'Ponha-se no lugar da formiguinha! Você gostaria de ser pisado?' pode determinar muitos atos de bondade, simples ou grandiosos.
Pôr-se no referencial do outro pode ser tanto uma dádiva como uma maldição. Gosto de pensar mais como uma dádiva, pois só pode ser uma maldição em meio ao mundo que existe hoje. Explicarei melhor:
Não sei se esse tipo de atitude faz parte da alma que nasce com a pessoa ou parte do caráter que se constrói durante a vida - a infância e a adolescência principalmente. Acho que ambas as coisas. Como toda criança, já sofri com os 'fortões' mais velhos da escola. Mas todos também já tiveram a oportunidade de ser um 'fortão', mesmo que poucas vezes. Andei com alguns colegas que eram esses fortões e tive muitas chances de fazer aquelas brincadeirinhas maldosas que faziam com frequência. E algumas vezes as fiz mesmo. Porém, recordo-me plenamente das sensações que tive ao fazê-las. Primeiro foi o desejo de me sentir incluído no grupo dos temidos da escola, e isso era bom, pois trazia a suposta segurança de não sofrer mais dessas brincadeiras. Mas ao realmente fazer alguma coisa para promover o sofrimento de um colega da sala que era mais quieto ou reservado, pura e simplesmente por ser tímido, uma angústia me dominava e eu não conseguia seguir com a brincadeira, por mais que os outros tentassem me obrigar, tentando me convencer que ele era um 'nerd retardado'.
Um bom tempo depois eu entendi essas angústias que sinto em situações um tanto fúteis como briguinhas de escola, ou extremas como maus-tratos a animais ou saber de um assassinato cruel. Essas angústias se devem ao simples fato de eu sempre me por no lugar da pessoa ou criatura que está sofrendo. Hoje em dia ouso dizer que às vezes consigo sentir uma dor tão terrível quanto a que a vítima sente.
Essa característica me trouxe uma ética que considero irrefutável. E também uma raiva imensa daqueles que não têm essa ética na essência do ser. Uma raiva racional, quase totalmente controlada, e que sempre tento usá-la para o bem.
Voltando às situações dentro do colégio ou escola... Lembro-me muito bem que no meu primeiro ano colegial aconteceram algumas coisas por razão dessa minha raiva contra aqueles que não seguem a ética 'cravada' em meu cérebro. Um grande grupo da minha sala de aula não estava lá para ter aulas. Mas, eu digo sem exagerar, que todos eles estavam lá sem o menor interesse em aprender alguma coisa. Se fosse apenas isso, seria tolerável que eles fizessem o que quisessem com seu dinheiro e tempo gastos. Mas, não felizes com isso, eles atrapalhavam todos os outros.Todos. Eu particularmente não sou uma pessoa que tem paciência de estudar algumas matérias em casa, por pura preguiça. Então queria aproveitar todo o tempo possível dentro da sala com o professor para aprender ali.
Até que um dia eles estouraram meus limites e eu tentei dar um jeito de resolver isso com a ajuda da coordenação que já era incompetente no colégio, por conta da falência que estava próxima. O que consegui foram algumas suspensões, mas todos sabem que esse tipo de aluno só volta de casa irritado, e não comportado. Comprei uma briga na frente da escola, na qual alguém da favela, amigo de um dos suspensos, estaria lá fora com uma faca à minha espera. Saí da escola já esperando isso e até querendo que acontecesse alguma coisa, pois da justiça eles não escapariam. Mas, por pura hironia, o carinha era meu amigo dos 'babas' num prédio aqui perto, e só me atingiu com algumas risadas, enquanto o idiota saiu de fininho.
Bem, depois desses meus casos, lembrem-se do colégio Columbine nos Estados Unidos, dentre alguns outros colégios no mundo todo em que aconteceram coisas parecidas. A crueldade de algumas crianças pode chegar num ponto tão extremo que não se acredita. Ponha-se no lugar das crianças que sofriam nesses colégios. Eram apenas crianças, e eram rejeitadas por todos: Seus colegas, diretoria do colégio e até pelos pais. Nem eles acreditavam que os filhos sofriam tanto dentro de uma escola. Um belo dia, seus limites explodiram. Infelizmente eles tinham como conseguir armas de fogo facilmente, na própria casa talvez. Mas eles não eram loucos, estavam simplesmente cansados daquela vida de rejeição e sofrimento. Eles não eram loucos, pois só foram atrás daqueles que os faziam sofrer na escola, os 'fortões' que falei no início do post aqui. Não fizeram absolutamente nada com as outras crianças. E diante da barbaridade cometida, tiraram a própria vida.
Não estou dizendo que sou a favor do que eles fizeram. Estou dizendo que, me pondo no lugar deles, compreendo completamente suas atitudes perante suas idades e a vida que tinham. No lugar deles, eu teria feito isso? Não posso afirmar com certeza, mas seria capaz de fazer se qualquer outro meio não fosse encontrado, se estivessem todos contra mim.
Ponha-se no lugar deles por um instante. Se for uma pessoa sã, ao menos compreenderá suas atitudes.
Dei alguns exemplos do meu pensamento.
Agora se pensarmos numa situação muito mais extrema e comum em muitos lugares no mundo hoje, como a guerra... Podemos encontrar algumas evidências de que pôr-se no lugar do outro seria a solução. Pura e simplesmente isso. Os exércitos não querem pessoas que pensam assim em suas batalhas. Por quê? Porque no momento em que um garoto de dezoito anos do exército inimigo aparecer na sua frente, você vai apontar o rifle para a cara dele, e ele olhará para você. Neste momento você imaginará o que ele deve estar sentindo, imaginará a vida que ele tem em seu país natal, sua namorada, os filhos que ainda terá, seus pais chorando sua morte, como o ferimento que você causara nele será grotesco e desumano... E no segundo seguinte você está morto, pois sua hesitação o deu tempo de apontar o rifle para sua testa e estilhaçar seu cérebro crânio afora.
Então, para evitar mortes e perder a guerra, os generais não permitem garotinhos chorões e cheios de compaixão com o inimigo. Quanto mais frio, melhor.
Voltando ao tema da citação de Galileu.
Existe um número enorme de falhas dizendo respeito a pessoas em altos escalões do poder. A corrupção seria uma dessas falhas que gera livros e discussões infindas. Um homem hoje, por mais que execute bem seu trabalho, tenha a real vontade de ajudar a melhorar o país e o mundo, de fazer a humanidade parar de dar um passo à frente e dez atrás, ao fazer parte de um governo corrupto (o brasileiro é um bom exemplo), ele será praticamente um escravo dos corruputos. Deve agir de acordo com o que eles querem, ou no máximo pode agir de qualquer forma que não interfira nas suas intenções. Caso não aceite a condição, eles sabem o endereço da família do bom sujeito, ou ele deve deixar o cargo.
Geralmente, aquele que consegue chegar com a alma limpa no governo, se corrompe para que se mantenha nele.
E eu citei, muito brevemente, apenas uma das falhas.
Mas eu posso dizer com toda a certeza qual a maior falha que existe nos sistemas políticos ao redor do mundo é que ninguém mais se põe no lugar do outro. Deputados querendo aumentar seus salários de dezesseis mil reais e benefícios infindos, incansáveis campanhas em todo o país para que seja reeleito, obras desnecessárias e discursos escritos por alguém pago para enganar o povo. Se por um dia as pessoas que têm muitas outras dependendo delas fossem induzidas a viver como um mendigo, um favelado, um desempregado, uma empregada doméstica ou até mesmo um mero classe média que trabalha duro para ter algum tipo de luxo, eu acho que a situação mudaria bastante. As imagens e sensações agora em suas memórias os assombrariam a cada real desviado para suas contas na Suíça. Mas só daria certo se todo e cada um responsável pelo bem do povo fosse realmente responsável em seus atos.
Devemos encontrar algum meio para que finalmente aconteça alguma novidade. Como já dizia Galileu, estamos deixando pessoas com responsabilidades demais quando estas não são capazes de se manter assim se não for atropelando nós mesmos, os que os puseram lá. Devemos fazer com que esta novidade aconteça ao invés de simplesmente estarmos nos queixando, ou só ligarmos quando o problema acontece consigo.
Olhe para o lado. A mão estendida dele pede comida, pois seu estômago está vazio. Não feche os vidros e tranque as portas para isso, abra os olhos e escancare a garganta na direção correta. Um dia haverá de ser ouvido, e se todos nos ouvirmos, poderemos falar a mesma língua e carregar a mesma arma contra um único adversário.
Ponha-se no lugar do outro, uma das primeiras lições que somos ensinados quando crianças, mas parece que ninguém a aprende de verdade.
Imagine - John Lennon
Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace
You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one
Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world
You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one
quarta-feira, 8 de julho de 2009
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