
Com seus anéis a orbitá-lo, Saturno vaga tranquilo ao redor do Sol. Em nossos céus, apenas um ponto brilhante. Até que, com a ajuda de um aparelho de lentes ou espelhos, você possa enxergar um pequeno sanduiche; uma esfera em um disco; um enorme planeta e seus quarenta e tantos satélites. Muito gás, apenas gás amarelado em toda a parte. No Sul, às vezes são visíveis auroras-boreais, maiores que a Terra. Inimaginavelmente grande com seus cento e vinte mil quilômetros de diâmetro, dez vezes o da Terra, tem um volume mil vezes maior.
E pensar que milhares de anos atrás, gregos, egípcios, maias e todas grandes civilizações sabiam da sua existência. Sabiam diferenciá-lo de estrelas. Mas nunca o viram maior do que um ponto. O que pensavam? Do latim, planeta, derivado do grego planetés, errante, vagabundo (do sentido de vagar). Saturno, do latim Saturnus, era o deus romano equivalente ao deus grego Cronos. Segundo a mitologia, era deus da agricultura, justiça e força, pai de Júpiter (equivalente ao deus grego Zeus). Isso nos mostra como eles imaginavam o que eram aqueles pontos errantes. Os deuses caminhavam aleatoriamente (apesar de terem conhecimento da faixa da Via Láctea, por onde todos os planetas passam no céu, além de conter a maioria das estrelas visíveis a olho nu) pelo céu, olhando por eles e vivendo suas vidas quase alheias à vida na Terra.
Penso muito se, naquelas épocas, os homens imaginavam se seria possível pisar num desses distantes mundos, como Saturno o é. Bem, não há como pisar em Saturno, mas em suas luas com certeza é possível. Mas quando? Será que eles pensavam nisso como eu e muitas outras pessoas pensam hoje?
Vamos um pouco menos além, pensando na Lua, a nossa. Essa sim eles sabiam que não era apenas um ponto a vagar pelo céu. Até hoje é mágica, até hoje inspira poetas (eu sou um deles), escritores ou pessoas comuns a escreverem contos sejam míticos, sejam impossíveis, sejam reais, sejam futurísticos... Não há ser humano na Terra que nunca tenha olhado para a Lua sem um brilho nos olhos, esquecendo de tudo o mais que acontecia aqui, e orbitado por alguns segundos ao lado dela. Então com certeza eles ou alguns deles (os antigos) devem ter sonhado em pisar lá. Mas será que eles imaginavam que no futuro alguém conseguiria tal feito? Que na segunda metade do século XX seus descendentes conseguiriam alcançá-la?
E os homens daqui centenas ou milhares de anos... Será que algum deles, sempre supondo que a humanidade persistirá por tanto tempo, se perguntará se nós de hoje ou de antes nos imaginamos olhando por uma janela e vendo Saturno preenchendo toda a visão? Será que eles saberão de nós e dos nossos feitos (prósperos ou não) que podem ou não tê-los ajudado a chegar aonde chegaram seja lá onde?Será que deveremos ir mesmo tão longe no tempo para realizarmos tais viagens?
Gosto muito de me imaginar na superfície de uma lua de Saturno ou de Júpiter. Destaco estes dois por terem tantas luas, algumas quase do tamanho da Terra, como Ganimedes, uma lua de Júpiter. Ou Europa que contém oceanos congelados, dos quais poderíamos usar a água. Ou ainda Io, o corpo celeste mais ativo vulcanica
mente do sistema solar, do qual poderíamos tirar energia térmica. Vastas possibilidades de colonização ou pontos de parada para reabastecimento. Imagine só uma expedição rumo a uma dessas luas com o objetivo de instalar uma base científica, com o intuito de estudar muito mais facilmente esses planetas e luas do que fazemos aqui na Terra.
Por último, gostaria de levá-los a outro lugar, a uma nebulosa. Um berçário estelar e planetário, propício para o surgimento de novos mundos, para podermos, num futuro muito distante, habitá-los, ou, ainda mais, propício para o surgimento da vida. Imagine só como seria ter como rotina no céu, uma cortina de fumaça das mais variadas cores, iluminada por centenas de milhares de estrelas... Nebulosas são frequentemente resultados de supernovas. Uma supernova é uma explosão que acontece quando uma estrela muito grande e maciça se
torna velha e consome quase todo o seu combustível (muito resumidamente). Betelgeuse é uma estrela que pode explodir numa super nova a qualquer momento. Ela é o 'ombro' de Orion, uma gigante vermelha. Quando essa super nova acontecer, estima-se que será tão brilhante que será vista até de dia e por vários dias, recomendando-se não olhar para ela sem proteção nos olhos. Já aconteceu uma explosão dessas há alguns séculos. Kepler pôde ver uma, quando era criança.
Nessa explosão são formados quase todos os elementos químicos da tabela periódica, enquanto que em uma estrela ativa, ela funde apenas até o ferro no máximo. Então podemos afirmar com toda a certeza que somos, nossos corpos e todo o planeta, formados por matéria que um dia fez parte de uma estrela que explodiu. Imagine isso! Imagine que alguns bilhões de anos atrás, o carbono do tronco das árvores, do grafite do seu lápis ou do diamante no museu, foi formado em uma estrela gigantesca. E que o ouro que você carrega no pescoço, ou que os piratas matavam para tê-lo, ou a prata, o cromo ou o até o urânio que mata e que gera energia foram formados bilhões de anos atrás, numa super explosão, que deve ter sido várias vezes maior do que todo o nosso sistema solar! Com o tempo, a 'fumaça' da nebulosa foi se atraindo com a gravidade e formou a Terra e todos os outros planetas e satélites que fazem parte do nosso sistema, além do Sol. Não é preciso recorrer ao misticismo, à mitologia ou à astrologia para se maravilhar com o universo que nos rodeia.

Podem achar que sonho demais, mas nem todas essas idéias são exculsivamente minhas, algumas tive antes de ler em algum lugar, outras ouvi, outras li, outras fui inspirado a ter. Algumas são, realmente, minhas.
Bem, demorou um pouco mas fiz o segundo post. Espero que gostem da forma que escrevo e sobre o que escrevo, lembrando que não será apenas sobre astronomia ou astrofísica que falarei aqui, mostrarei todos os meus sentimentos e pensamentos.
Gostaria que quem gostou, tiver opinião a dar ou quiser escrever algo comigo, me diga (através de comentários aqui ou de qualquer outro meio), seja um amigo próximo ou desconhecido. Sabedoria, pensamentos e sentimentos serão sempre bem-vindos.
Imagens, de cima para baixo: 1.Auroras boreais em Saturno, Hubble. 2.Lua cheia, tirada por mim do meu telescópio 900mm. 3.Superficie de uma lua de Saturno, desenhado por mim, cores invertidas no computador. 4.Júpiter e suas luas Io e Europa, Hubble. 5.Helix nebula, Hubble. 6.Crab nebula, Hubble. Cone nebula, Hubble.
Meus autores-referências para este post foram, principalmente: Arthur C. Clarcke (2001: Uma Odisséia no Espaço), Carl Sagan (Contato, Bilhões e Bilhões, Conexões Cósmicas) e Isaac Asimov (Júpiter, O Colapso do Universo).
Penso muito se, naquelas épocas, os homens imaginavam se seria possível pisar num desses distantes mundos, como Saturno o é. Bem, não há como pisar em Saturno, mas em suas luas com certeza é possível. Mas quando? Será que eles pensavam nisso como eu e muitas outras pessoas pensam hoje?

Vamos um pouco menos além, pensando na Lua, a nossa. Essa sim eles sabiam que não era apenas um ponto a vagar pelo céu. Até hoje é mágica, até hoje inspira poetas (eu sou um deles), escritores ou pessoas comuns a escreverem contos sejam míticos, sejam impossíveis, sejam reais, sejam futurísticos... Não há ser humano na Terra que nunca tenha olhado para a Lua sem um brilho nos olhos, esquecendo de tudo o mais que acontecia aqui, e orbitado por alguns segundos ao lado dela. Então com certeza eles ou alguns deles (os antigos) devem ter sonhado em pisar lá. Mas será que eles imaginavam que no futuro alguém conseguiria tal feito? Que na segunda metade do século XX seus descendentes conseguiriam alcançá-la?
E os homens daqui centenas ou milhares de anos... Será que algum deles, sempre supondo que a humanidade persistirá por tanto tempo, se perguntará se nós de hoje ou de antes nos imaginamos olhando por uma janela e vendo Saturno preenchendo toda a visão? Será que eles saberão de nós e dos nossos feitos (prósperos ou não) que podem ou não tê-los ajudado a chegar aonde chegaram seja lá onde?Será que deveremos ir mesmo tão longe no tempo para realizarmos tais viagens?
Gosto muito de me imaginar na superfície de uma lua de Saturno ou de Júpiter. Destaco estes dois por terem tantas luas, algumas quase do tamanho da Terra, como Ganimedes, uma lua de Júpiter. Ou Europa que contém oceanos congelados, dos quais poderíamos usar a água. Ou ainda Io, o corpo celeste mais ativo vulcanica
mente do sistema solar, do qual poderíamos tirar energia térmica. Vastas possibilidades de colonização ou pontos de parada para reabastecimento. Imagine só uma expedição rumo a uma dessas luas com o objetivo de instalar uma base científica, com o intuito de estudar muito mais facilmente esses planetas e luas do que fazemos aqui na Terra.
Por último, gostaria de levá-los a outro lugar, a uma nebulosa. Um berçário estelar e planetário, propício para o surgimento de novos mundos, para podermos, num futuro muito distante, habitá-los, ou, ainda mais, propício para o surgimento da vida. Imagine só como seria ter como rotina no céu, uma cortina de fumaça das mais variadas cores, iluminada por centenas de milhares de estrelas... Nebulosas são frequentemente resultados de supernovas. Uma supernova é uma explosão que acontece quando uma estrela muito grande e maciça se
torna velha e consome quase todo o seu combustível (muito resumidamente). Betelgeuse é uma estrela que pode explodir numa super nova a qualquer momento. Ela é o 'ombro' de Orion, uma gigante vermelha. Quando essa super nova acontecer, estima-se que será tão brilhante que será vista até de dia e por vários dias, recomendando-se não olhar para ela sem proteção nos olhos. Já aconteceu uma explosão dessas há alguns séculos. Kepler pôde ver uma, quando era criança.Nessa explosão são formados quase todos os elementos químicos da tabela periódica, enquanto que em uma estrela ativa, ela funde apenas até o ferro no máximo. Então podemos afirmar com toda a certeza que somos, nossos corpos e todo o planeta, formados por matéria que um dia fez parte de uma estrela que explodiu. Imagine isso! Imagine que alguns bilhões de anos atrás, o carbono do tronco das árvores, do grafite do seu lápis ou do diamante no museu, foi formado em uma estrela gigantesca. E que o ouro que você carrega no pescoço, ou que os piratas matavam para tê-lo, ou a prata, o cromo ou o até o urânio que mata e que gera energia foram formados bilhões de anos atrás, numa super explosão, que deve ter sido várias vezes maior do que todo o nosso sistema solar! Com o tempo, a 'fumaça' da nebulosa foi se atraindo com a gravidade e formou a Terra e todos os outros planetas e satélites que fazem parte do nosso sistema, além do Sol. Não é preciso recorrer ao misticismo, à mitologia ou à astrologia para se maravilhar com o universo que nos rodeia.

Podem achar que sonho demais, mas nem todas essas idéias são exculsivamente minhas, algumas tive antes de ler em algum lugar, outras ouvi, outras li, outras fui inspirado a ter. Algumas são, realmente, minhas.
Bem, demorou um pouco mas fiz o segundo post. Espero que gostem da forma que escrevo e sobre o que escrevo, lembrando que não será apenas sobre astronomia ou astrofísica que falarei aqui, mostrarei todos os meus sentimentos e pensamentos.
Gostaria que quem gostou, tiver opinião a dar ou quiser escrever algo comigo, me diga (através de comentários aqui ou de qualquer outro meio), seja um amigo próximo ou desconhecido. Sabedoria, pensamentos e sentimentos serão sempre bem-vindos.
Imagens, de cima para baixo: 1.Auroras boreais em Saturno, Hubble. 2.Lua cheia, tirada por mim do meu telescópio 900mm. 3.Superficie de uma lua de Saturno, desenhado por mim, cores invertidas no computador. 4.Júpiter e suas luas Io e Europa, Hubble. 5.Helix nebula, Hubble. 6.Crab nebula, Hubble. Cone nebula, Hubble.
Meus autores-referências para este post foram, principalmente: Arthur C. Clarcke (2001: Uma Odisséia no Espaço), Carl Sagan (Contato, Bilhões e Bilhões, Conexões Cósmicas) e Isaac Asimov (Júpiter, O Colapso do Universo).

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